quarta-feira, 23 de junho de 2010

"Que te dizer? Que te amo, que te esperarei um dia numa rodoviária, num aeroporto, que te acredito, que consegues mexer dentro-dentro de mim? É tão pouco. Não te preocupa. O que acontece é sempre natural — se a gente tiver que se encontrar, aqui ou na China, a gente se encontra. Penso em você principalmente como a minha possibilidade de paz — a única que pintou até agora, “nesta minha vida de retinas fatigadas”. E te espero. E te curto todos os dias. E te gosto. Muito. Tô morando, trabalhando, estudando e amando. Esses são os quatro foles da minha vida, no momento, e sobre cada um deles eu teria milhares de páginas a preencher..."

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Pode ser da vida acostumar.

Há uma tempestade acinzentada lá fora.
Pela vidraça escorrem lúgubres memórias do tempo que tive.
A lufada das horas carrega-me, insossa, por caminhos ritmados.
Os meus pés, descalços, sentem a tortura dos papéis amarrotados.
Chove. Diria-me qualquer poeta amigo que é este
O momento de desaguar-me em metáforas previsíveis
E regozijar-me em metonímias infindas.
Sinto muito: esta noite não voltarei a escrever ainda.
Permaneço no incauto do meu subterfúgio.
Estarreço! Toco-me… sim, sou eu ainda…
Sou eu: a essência do poeta que não fui
E só.
Embora relegada, vazia, manchada com o arco-íris negro
Do tinteiro caído sobre a mesa,
Sou eu… sou minhas memórias… sou a pilha de papel amarelecida na estante.
E só.

domingo, 30 de maio de 2010

Later that night, I got to thinking about fathers, or the lack of them.
Some say a daughter’s relationship with her father is the model of all her subsequent relationships with men. Is that just pop psychology or is there some truth to it?
And if you were given a less than perfect model, does that mean a life of less than perfect relationships?
I couldn’t help but wonder: how much does a father-figure figure?

Carrie Bradshaw, Sex and The City.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

pérolas ao poço

Se eu fosse boa nisso, eu até acenderia um cigarro agora, tomava aquela vodca vagabunda na geladeira e continuaria, passando assim, ignorando o que eu insisto em ver e já que insisto, quero ver mais de perto ainda e machuca a qualquer distância.
Se eu não gostasse tanto de ponto final, e que medo de ter me arrpendido, eu não pontuei as coisas ou não o fiz da maneira certa e meus verbos estão separados dos meus sujeitos por vírgulas por espaços de tempo.
E eu não consigo ignorar. Não consigo passar ilesa e não sei como ou pra quem dizer isso. Porque é como atirar pérolas ao poço. E aos poucos.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Há uma alma em mim, há uma calma que não condiz.

— Bom, feliz talvez ainda não. Mas tenho assim... aquela coisa... como era mesmo o nome? Aquela coisa antiga, que fazia a gente esperar que tudo desse certo, sabe qual?
— Esperança? Não me diga que você está com esperança!
— Estou, estou.

sábado, 24 de abril de 2010

Asas nos teus pés


Seja lá onde for, deixa o Sol te levar!

terça-feira, 20 de abril de 2010

O que sobrou foi uma xícara

O que sobrou foi uma xícara de café (ou de chá de hortelã). O que sobrou foi uma xícara que recebe uma sombra clara todos os dias quando é de manhã. É sempre uma nuvem que passa pela janela, espantando os pequenos pássaros lá de fora. E a xícara, sobre a pequena mesa da cozinha, de branca fica cinza por alguns minutos.

Quando ainda desperto, quando ainda sobrevôo meus pensamentos tentando quebrar esse sentindo-que-tive-bons-sonhos, sentindo o que é realidade e ilusão, lembro-me imediatamente que a xícara está lá, como se ela me esperasse para ficar cinza, ou verde, vai saber. Calço meus chinelos e adentro os corredores ainda sonolenta, ainda mal vestida, ainda despenteada. Sinto um cheiro de café, sinto o gelado das paredes com aqueles quadros que nem sei se gosto. E a xícara está lá.
Olho pra ela como se não a visse, como se ela fosse qualquer objeto transparente, translúcido, desinteressante, mas é tudo ilusão porque eu olho, verdadeiramente, como se fosse possível quebrá-la, com se fosse possível com a força do meu pensamento jogá-la contra a janela. Como se fosse possível adorar essa força que vem dela. E então chega a nuvem e forma aquela sombra. Aquela sombra maldita que a deixa tão mais sólida, tão mais densa, tão mais você.
Nesses longos minutos de sombra na xícara é como se eu também recebesse toda aquela sombra, como se eu, nuvem tenra, de repente fosse nuvem robusta (coisa que eu não sou). E assim, quando é, sinto ser possível mover uma tempestade, sinto ser possível controlar raios, trovões, relampagos, luminosidade.
Sento na cadeira, aquela de sempre. Sento na cadeira em direção à xícara. Eu poderia escolher outro lugar à mesa, mas não consigo, não devo, ou é alguma coisa que manda em mim e eu obedeço. Sente-se de frente para xícara, sussurra em meus ouvidos.
Se fosse xícara gente. Se fosse você xícara. Humano, carne e sangue, pequena, frágil, sem sentido. Talvez se sentisse bem por ser xícara, por ser humano, por receber uma pequena sensação do que é a vida e contentar-se com isso, apenas com isso.

Se você gente fosse xícara luminosa.