domingo, 22 de novembro de 2009

1968!




Pelas ruas marchando indecisos cordões. Ainda fazem da flor seu mais forte refrão e acreditam nas flores vencendo o canhão...Há soldados armados, amados ou não. Quase todos perdidos de armas na mão. Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição: de morrer pela pátria e viver sem razão. Os amores na mente, as flores no chão. A certeza na frente, a história na mão. Caminhando e cantando e seguindo a canção,

aprendendo e ensinando uma nova lição...



Ah, esses dias quentes de 1968!

sábado, 21 de novembro de 2009

Fingi na hora de rir

Não faz muito tempo que a coisa toda começou a acontecer. Na verdade, não se sabe ao certo onde tudo começou. Veio como um grito abafado, sem ao menos ser esperado. E ela não queria, ela não pretendia, acreditem em mim.
Mas agora havia ele, e todas as coisas que formavam sua vida com ele.
E suas mãos que ela colocava sob a dela. Como um afeto, um cuidado.
Mas às vezes parecia certo escolher outros caminhos, outros formas de continuar a fazer parte da vida dele. Só e simplesmente.
É que ficou muito difícil prestar atenção nas coisas que ele dizia, ficou ainda mais difícil dizer alguma coisa que ele vá, de fato, prestar atenção. Ela precisava de um limite, sempre precisaria de um limite.
Se todas as vezes que ela se permitiu um pouco mais, por querer mais, por precisar de mais, acabou ficando com pouco, quase nada... Dessa vez deciciu guardar, ao menos, uma lembrança bonita, a fim de, quem sabe, não perder tanta vida em tão pouco tempo.
E não dóia, não dóia como ela achou que fosse doer. Não consumia como ela pensou que fosse consumir.
E, pensando nisso, sorriu.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

À aniversariante


Quando temos muito a dizer, quase sempre acabamos não dizendo nada. Principalmente quando as palavras parecem ínfimas diante da grandeza que esta que me traz aqui hoje representa. Talvez o vento noturno tenha vindo em meu socorro. Escrever sobre ela não é uma tarefa fácil. Entendam. Peço licença pra recorrer à memória, mas alerto: posso cair em saudosismo emocionalista. Estão totalmente dispensados da obrigação de lerem até o fim.
Aos que continuam atentos a esta multidão de palavras – nem tão soltas assim [mas sem muito nexo] e carregadas – em cada letrinha, acento e pingos-nos-I – de sentido, significado, sentimento, verdade e tudo mais, vale uma ressalva: isso tudo aqui não passa de tentativa de esboçar uma narrativa que esbarra sempre naqueles longos silêncios onde as coisas sublimes são, de fato, entendidas.
Não é de hoje, aliás, é de bastante tempo que ela está na minha vida. E eu agradeço ao Pai por isso, pela bondade de te-la encontrado, por sua vida (sem a qual sabe-se lá o que seria da minha). Nós somos feitas de grandes banalidades, acreditem. Ah, como eu amo as nossas banalidades! Se todo o espaço que ela ocupa se resumisse a isso, eu já estaria satisfeita. Mas a nossa melodia é mais complexa, tem mais notas, é cheia de acordes!
No dia 19 de novembro algo parecido com um presente de aniversário deveria estar disposto em palavras {por alguns motivos, entre os quais está a falência múltipla - temporária - de ambos os bolsos desta que assinará este texto; e - principalmente – da minha inquietação em ter de escrever sobre quem, de um jeito ou de outro [e eu nem sempre sei por qual razão exatamente], é importante o bastante pra merecer (não sei se merecimento é a palavra...) o que, de melhor eu posso dar}.
Abro agora para as reticências, talvez, melhor do que eu, elas mensurem isto que tanto me envolve e emociona, mas que escorre habilmente por entre os dedos da minha insuficiente competência narrativa.
 
Com amor, parabéns!.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

spring

A verdade é uma só: a idéia de alguém depender de mim faz com que eu me sinta tão aflita. Nunca fui boa com as pessoas; minto! Sempre fui, mas nunca quis ter a responsabilidade de ser.
E eu gosto de ficar sozinha, mesmo. Tomar um porre de pensamentos, fazer poses para o espelho, poder pensar livremente e não ter quem mande em mim (sempre fui chatinha e nunca gostei de ordens, sabe como é).
Acho que é tudo uma conseqüência.
O fato de eu preencher a mim mesma, faz com que as pessoas pensem que eu sou insensível e etc.

Mal sabem elas que eu preciso tanto de atenção!
Tum tum tum ...
é a primavera, meus caros, é a primavera.

Sobra tanta falta

Saltos de flor. Angústia resumindo desejos, quase orações. Lembranças doídas guardadas na gaveta. Outrora passeando pela casa, escondendo-se atrás do armário.
Ah, de que vale a espera? O ritmo, o deslizar num sorriso, o mesmo tom, a mesma risada e o mesmo olhar de cuidado?
Porque falta alguma coisa. Há seis meses, falta alguma coisa.
E agora, José?



Atirar-me em ti novamente,
é o que falta.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Ela ainda*

Minha vontade não é surda,
muda,
perdida.
Ela é mesmo escancarada,
arranhada,
cheia de delírios secretos,
amargos,
tão fininhos que até arrepia.

Mas já foi egoísta,
mentirosa,
uma mordida de tédio, de mãos trêmulas.
Medo de perder aquilo que não se tem;
só medo, então.

Sabe?

Burrice é tentar entender tudo,
escapar por aí que a metafísica é uma constante...AH!
E não me venha com a sua metafísica, com esse seu olhar
embutido, igual. Sempre igual.

Melhor mesmo é perder essa sua
boca em minhas palavras esquecidas
naquele papel amassado, que sei lá
onde está.

Sem biquinhos, carinhos,
nada, nada!
Não me venha de livro preto,
escritas douradas.
Hoje eu sou decidi ser eu, só eu
por algum momento,
quase nada

Deixa então que a vontade
me engula
mastigue essa minha falsa esperança
cortada em tirinhas dissimuladas

Deixa a vida,
que de vida nós já temos muito.

*inspirado por Dinha Mafra.